Somos um grupo de amigos atores estudantes da UNIRIO que esta em constante pesquisa. Este blog pretende divulgar registros do trabalho, assim como fontes de inspiracao.
quarta-feira, 31 de março de 2010
quinta-feira, 25 de março de 2010
Pirra
Por longo tempo, Pirra foi para mim uma cidade encastelada nas encostas de um golfo, com amplas janelas e torres, fechada como uma taça, com uma praça em seu centro. Nunca a tinha visto. Era uma das tantas cidades que nunca visitara, que imaginava somente a partir do nome> Eufrásia, Odila, Margara, Getúlia. Pirra era uma delas, diferente de todas as outras, assim como cada uma delas era inconfundível para os olhos da minha mente.
Chegou o dia em que as minhas viagens me conduziram a Pirra. Logo que coloquei os pés na cidade, tudo o que imaginava foi esquecido; Pirra tornara-se aquilo que é Pirra; e imaginei que sempre soubera que a cidade não tinha vista para o mar, escondido atrás de uma duna baixa e ondulada; que as suas ruas correm em linha reta; que as casas são reagrupadas em intervalos, não altas, e são separadas por descampados de depósitos de madeira e serrarias; que o vento move os cataventos das bombas hidráulicas. Daquele momento em diante, o nome Pirra evoca essa vista, essa luz, esse zumbido, esse ar no qual paira uma poeira amarelada: é evidente que significa isto e que não podia significar mais nada.
A minha mente continua a conter um grande número de cidades que não vi e não verei, nomes que trazem consigo uma figura ou fragmento ou ofuscação de figura imaginada: Getúlia, Olida, Eufrásia, Margara. A cidade sobre o golfo também está sempre lá, com a praça fechada em torno do poço, mas não posso mais chamá-la com um nome, nem recordar como pude dar-lhe um nome que significa algo totalmente diferente.
Chegou o dia em que as minhas viagens me conduziram a Pirra. Logo que coloquei os pés na cidade, tudo o que imaginava foi esquecido; Pirra tornara-se aquilo que é Pirra; e imaginei que sempre soubera que a cidade não tinha vista para o mar, escondido atrás de uma duna baixa e ondulada; que as suas ruas correm em linha reta; que as casas são reagrupadas em intervalos, não altas, e são separadas por descampados de depósitos de madeira e serrarias; que o vento move os cataventos das bombas hidráulicas. Daquele momento em diante, o nome Pirra evoca essa vista, essa luz, esse zumbido, esse ar no qual paira uma poeira amarelada: é evidente que significa isto e que não podia significar mais nada.
A minha mente continua a conter um grande número de cidades que não vi e não verei, nomes que trazem consigo uma figura ou fragmento ou ofuscação de figura imaginada: Getúlia, Olida, Eufrásia, Margara. A cidade sobre o golfo também está sempre lá, com a praça fechada em torno do poço, mas não posso mais chamá-la com um nome, nem recordar como pude dar-lhe um nome que significa algo totalmente diferente.
- Calvino, Italo
"Cidades Invisíveis" - As ciadades e o nome 1
sábado, 20 de março de 2010
O Jogo da Amarelinha 68 - Julio Cortazar
O Jogo da Amarelinha (68) - Julio Cortazar
"No mesmo instante em que ele lhe amalava o noema, ela lhe dava com o clêmiso, e ambos caíam em hidromurias, em abanios selvagens, em sústalos exasperantes. De cada vez que procurava relamar as incopelusas, ele emaranhava-se num grimado queixoso e tinha de envulsionar-se de cara para o nóvalo, sentindo como se, pouco a pouco, as arnilhas se espechunassem, se fossem apeltronando, reduplimindo, até ficar estendido como o trimalciato de ergomanina no qual se tivesse deixado cair umas filulas de cariacôncia. E, apesar disso, aquilo era apenas o princípio, pois em dado momento ela tordulava-se os hurgálios, consentindo que ele aproximasse suavemente os seus orfelunios. Logo que se entreplumavam, algo como um ulucórdio os encrestoriava, os extrajustava e paramovia, dando-se, de repente, o clinón, a esterfurosa convulcante das mátricas, a jadeolante embocapluvia do órgumio, os esprêmios do merpasmo numa sobremítica agopausa. Evohé! Evohé! Volposados na crista do murélio sentiam-se balparamar, perlinos e marulos. Tremia o troque, as marioplumas era vencidas, e tudo se resolvirava num profundo pínice, em niolamas argutendidas gasas, em carínias quase cruéis que os ordopenavam até ao limite das gunfias."
CORTÁZAR, Julio. O Jogo da Amarelinha. Tradução de Fernando de Castro Ferro. 8 edição. Ed.Civilização Brasileira. Rio de Janeiro, 2003
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Perdoando Deus, por Aline Vargas
O Grande Passeio, por Flávio Ozório
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Músicas usadas no IBC
Quando o público entrava no teatro do IBC, os atores estavam em cena preparando-se para as apresentações. A atividade física era interrompida com a entrada da música Cello Solo, de Laurie Anderson. Em seguida, ouvíamos The Sacrifice, de Michael Nyman, composta para o filme O Piano. Esse era o momento de beber uma água e recuperar o fôlego. Na terceira música, Vigo Passage, também do Nyman (composta para o filme The End Of The Affair), uma pequena movimentação nos conduzia de volta ao jogo. Em seguida, eram apresentados os contos escolhidos. Assim fizemos nas três apresentações. Esse é o clipe da The Sacrifice...
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Ensaio no IBC, dia 14/09










Como Aline fotografou o ensaio, exceto o conto Uma História de Tanto Amor, fotos feitas pelo Rodrigo, não temos registro do Encarnação Involuntária, feito por ela. Incluí uma foto antiga para termos imagens de dez dos onze contos apresentados dia 15/09, que foram: Restos do Carnaval, Cem Anos de Perdão, O Primeiro Beijo, Uma Amizade Sincera, Uma História de Tanto Amor, As Águas do Mundo, A Criada, A Quinta História, Encarnação Involuntária, Uma Esperança e A Repartição dos Pães. O último também não foi fotografado, já que estávamos todos em cena...
Uma Esperança, por Camila e Flávio
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